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Correio da Manhã

Especiais C-Studio
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C- Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do Universo
É o local onde as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Um vencedor em todo-o-terreno e no imobiliário

Sempre gostou de aventura. Lutou pelos seus sonhos e concretizou muitos. Chegou um momento na vida em que teve de trocar a adrenalina do desporto motorizado por outro desafio
22 de Março de 2019 às 10:56

É um homem com a determinação e a frontalidade que caracterizam as pessoas do Norte. Andou de moto pela primeira vez aos 10 anos. Lembra-se como se fosse ontem. Foi no quintal de casa com uma Maxi Puch, uma acelera da época que pertencia a José Gil, um amigo do irmão mais velho de Paulo Marques. Quando ia a Espanha com os pais, ficava fascinado com o movimento das motorizadas e motos nas ruas de Vigo.

Sempre gostou de aventuras ao ar livre. Praticou de tudo um pouco. Escalada, visitas a grutas, passeios de bicicleta. Mais tarde chegou a fazer ginástica acrobática, karaté, judo, andebol, mas o que mais o fascinava era qualquer coisa que tivesse motor.

Paulo Manuel Guimarães Marques, 11 vezes vencedor do Campeonato Nacional de Enduro, sete títulos nacionais de todo-o-terreno e 14 participações no Dakar, analisa o seu percurso nestas modalidades e como transitou para outra modalidade totalmente diferente. Foi o primeiro português a vencer uma etapa do Dakar. É um dos grandes pilotos nacionais de todos os tempos e um dos precursores e promotores destas modalidades em Portugal. A idade não perdoa.

É preciso saber viver e aproveitar bem as diferentes etapas da vida, desfrutar enquanto se pode e fazer bem o que dá prazer.

O que desencadeou o gosto por modalidades relacionadas com o enduro e o todo-o-terreno?
Vivi toda a minha juventude numa moradia com terreno suficiente para andar de moto em pisos de terra batida. Foi um primeiro passo para me sentir à vontade neste tipo de pavimentos escorregadios. Entre os 11 e os 16 anos, fiz centenas de quilómetros dentro da nossa propriedade, sempre em caminhos de terra batida. Fazia contrarrelógio com os amigos num circuito desenhado por nós. Daí a chegar à primeira prova foi um passo normal.

Qual foi o momento na sua juventude em que decidiu que ia fazer competição?
Participei nas gincanas da DGV que existiam no secundário. A primeira prova de motocross regional foi em 1979, com 16 anos. Nessa altura era tudo um passatempo, mas o espírito competitivo já existia.
Em março de 1983, apresentei-me na primeira prova do Campeonato Nacional de Enduro em Sesimbra. A partir dessa data fui criando as bases de pilotagem e competitividade, nas modalidades que me lançaram na carreira. Tanto no Campeonato de Enduro como nas provas de todo-o-terreno, que começaram a existir em Portugal, como na primeira Baja de Portalegre em 1987, em que me sagrei vencedor da primeira edição.

Sempre foi muito competitivo?
Sim, e a partir de uma certa altura, tendo obtido já uns títulos de campeão nacional nas duas modalidades, aumentou a responsabilidade com patrocinadores, sendo obrigatória uma entrega quase total para me aproximar dos melhores pilotos do Mundial.

Como foi passar do campeonato nacional para um Dakar?
Quando participei no meu primeiro Dakar, em 1994, tudo era novidade para mim! Em outubro de 1993, venci a Baja de Portalegre. Nessa prova participaram dois pilotos habituais do Dakar, Stéphane Peterhansel e Thierry Magnaldy. Atendendo ao bom desempenho, houve quase um convite por parte deles para conhecer as provas em África.

Como se preparava para provas com a dureza física e psicológica de um Dakar?
O Rally Dakar é por si só a mais dura prova de todo-o-terreno do mundo. Eu e o meu amigo Bernardo Villar, aventurámo-nos na participação no início de 1994, com poucos meios, dividindo os serviços de um só mecânico para as duas motos, com o apoio da Honda Motor de Portugal. Ao longo dos anos, as coisas evoluíram.
Posso considerar que a partir de 1997, quando ganhei uma etapa, sendo o primeiro português a conseguir o feito, a responsabilidade aumentou. Treinava afincadamente a parte física para cada edição do Rally Dakar, mantendo, contudo, a minha atividade profissional no stand de motos em Famalicão. Era duro conciliar as duas coisas, mas com muito esforço e dedicação os resultados apareciam.

O que originou que começasse no todo-o-terreno?
No todo-o-terreno, anda-se realmente depressa. O gosto pela velocidade e o risco inerentes a esta modalidade foram um chamariz. Quando se controla uma moto em derrapagem controlada, a mais de 150 km/h, a adrenalina é indescritível. As bajas deram-me essa faculdade e experiência, que vieram a ser importantíssimas no Dakar!

Qual a modalidade que prefere: o enduro ou o todo-o-terreno?
O todo-o-terreno é mais perigoso, mas os níveis de adrenalina também disparam pelas velocidades que se atingem! Pelas paisagens que conheci em África posso dizer que prefiro esta modalidade, que me tirou do anonimato a nível nacional e internacional. Mas a técnica necessária para ultrapassar determinados obstáculos no enduro também me faz vacilar. Gosto muito das duas e atualmente pratico passeios de enduro, pois a minha região é mais propícia a esta modalidade.

Quais as conquistas que mais o marcaram?
O primeiro título nacional fica sempre para a história, o que aconteceu em 1985. A medalha de ouro na prova internacional dos ISDE (International Six Days of Enduro) na Austrália, representando Portugal na Taça das Nações, também me marcou. Mas sem dúvida, a vitória na etapa do Rally Dakar/Agadés/Dakar de 1994 foi a conquista mais representativa de toda a minha carreira.

Do que se arrepende de não ter feito nesse período/participado?
Gostaria de ter feito a Baja Califórnia. Prova mítica nos Estados Unidos com muito retorno naquele continente. Noutro contexto mais técnico, gostava de ter feito a Gilles Lalay Classic, prova de enduro extreme com reputação mundial.

Era mais fácil participar em provas internacionais como o Dakar quando começou ou agora?
Tudo agora se torna mais fácil, pela facilidade de contactos e de obtenção de informação. No entanto, no campo da obtenção de patrocínios, acho que na nossa época havia mais interesse por parte das grandes multinacionais.

Quando decidiu deixar de competir? O que motivou essa decisão?
A idade não perdoa, e para andar de moto ao nível competitivo que me era exigido passava a ser perigoso. Deixei de fazer o Dakar em moto com 41 anos de idade. Penso ter feito o meu registo! Não fazia sentido com essa idade querer fazer mais do que já tinha feito até então e assim virou-se uma página, para se abrir outro capítulo, participando em 2004 no meu primeiro Dakar em quatro rodas, partilhando um Nissan Patrol GR com o meu grande amigo Bernardo Villar. 

O que opina da modalidade em Portugal? Evoluiu muito?
A modalidade evoluiu a nível mundial e igualmente a nível nacional! Temos excelentes pilotos que podem fazer uma boa carreira internacional. Têm é de fazer várias provas em África para poder obter resultados de relevo no Dakar, a prova-rainha.

Que mensagem deixaria aos jovens que estão agora a iniciar as suas carreiras?
Treinem física e tecnicamente. Apliquem-se com vontade, pois o sonho comanda a vida. Aprendam a fazer bons dossiês de apresentação para conseguirem obter bons patrocínios. Envolvam-se com pessoas credíveis para chegar onde interessa chegar.

Continua a andar de mota?
Continuo a andar de moto de enduro aos fins de semana. Neste momento, possuo uma Husqvarna 300 a 2T/2019. No dia a dia, também me desloco na minha Honda NC 750X. No verão, gosto de desportos aquáticos, que pratico na Barragem da Caniçada, Gerês.

Além destes dois modelos, tem mais motas?
As duas que indiquei são aquelas a que dou mais uso. Da minha coleção fazem ainda parte uma Honda CR 250 Elsinore de 1979, com a qual competi em 2009 no C. N. Motocross Vintage e no qual me sagrei campeão nacional; uma Honda CR 250 de 1992, fiquei com esta moto no ano em que me casei, tendo ganho com a mesma todas as provas do C.N. Enduro desse ano; e por último tenho uma KTM 660 Rally Raid, com a qual ganhei a etapa no Rally Dakar de 1997. Essa moto está exposta no Museu do Automóvel Antigo de V. N. de Famalicão.

E carros todo-o-terreno?
Tenho uma Nissan Navara, com a qual competi nas 24 horas de todo-o-terreno em Fronteira e um Mitsubishi Pajero Ralliart.

Quantos quilómetros faz por mês? Quantos são trabalho e lazer?
Em trabalho depende, mas penso que a média mensal andará entre os 1.000 e os 1.500 km. Desloco-me maioritariamente durante a semana, na cidade de Famalicão, mas estando bom tempo também posso passear um pouco ao fim de semana! Na moto de enduro, faço uma média de 300 km por mês! A minha voltinha preferida, que costumo fazer ao domingo de manhã com os amigos, tem entre cerca de 60 e 75 km, mas é bastante técnica! São entre 3 e 4 horas a andar nos trilhos.

Como entrou no negócio do comércio e reparação de motociclos?
Em 1986, quando competia com Aprilia no Campeonato de Enduro, o importador na altura, a Milfa, convidou-me a fazer a experiência no mercado de vendas. Abri a Moto RPM em 1987, sendo, a partir de 1989, concessionário oficial da Honda para o meu concelho. Durante 25 anos mantive o negócio ativo, na venda e reparação de motociclos. Durante bastantes anos impulsionei fortemente o mercado de venda de motos de todo-o-terreno na minha região.  

Porque deixou a representação da Honda?
Em 2009, em plena altura de crise financeira em Portugal, a Honda Motor de Portugal entendeu diminuir drasticamente o número de concessões em Portugal. A Moto RPM, estando geograficamente inserida numa região relativamente pequena, teve de ser incluída nessa decisão e, para mim, na altura, isso foi um duro golpe. Tinha dado suor e sangue pela marca. Não baixei os braços e continuei seguindo o meu caminho, mantendo a empresa por mais alguns anos, sem a representação da marca para quem tinha obtido os mais diversos títulos.

Como se muda do mundo do motor para o imobiliário?
No dia 31 de dezembro de 2013, coloquei um ponto final na empresa de motos que criei em 1987, para me dedicar a 100% a uma atividade que vinha a praticar paralelamente desde 2010, na qual conseguia resultados de relevo. Tinha entrado para consultor da RE/MAX e dividia o tempo entre as duas atividades. Como não sou pessoa de fazer as coisas pela metade, entendi dar o passo seguinte e dedicar-me a esta nova causa com unhas e dentes. Adoro o que faço, pois como comercial que fui, durante todo o meu percurso laboral, encontrei na RE/MAX uma nova oportunidade para vencer na vida.

O que lhe proporciona ser consultor imobiliário da RE/MAX?
Além de gostar de trabalhar nesta área, que é bastante mais abrangente em termos de conhecimentos, permite-me continuar com a liberdade e a gestão do meu tempo, que sempre tinha tido ao ser dono do meu próprio negócio. 

Que valência trouxe da sua experiência profissional para esta aventura como agente imobiliário?
Na RE/MAX somos donos do nosso tempo, planeamos a nossa vida em função das necessidades. Já era assim no tempo da Moto RPM, conciliando treinos e trabalho. Nunca fui de baixar os braços. Isso está bem patente na forma como dei uma volta à minha vida. Após perder a concessão da Honda, o futuro poderia parecer bem mais negro, mas antes pelo contrário, foi uma janela de oportunidades que se abriu. No fundo, devo agradecer aos responsáveis da Honda em Portugal por terem prescindido dos meus serviços como representante da marca, pois permitiu-me abrir novos horizontes, conhecer novas pessoas e abraçar uma atividade que adoro. Por isso digo mais uma vez, nunca baixem os braços, olhem em frente e tentem realizar os vossos sonhos. Este sempre foi e continuará a ser o meu lema de vida. Façam o favor de serem felizes.


Eu No Meu Melhor