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Correio da Manhã

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Imagens mostram a mochila da morte no Sri Lanka

Terrorista cruzou-se com uma criança, que seguia com o avô, e tocou-lhe na cabeça, antes de seguir em frente.
Paulo João Santos 24 de Abril de 2019 às 01:30
Momento em que o terrorista se cruza com uma menina, no largo em frente à Igreja onde se fez explodir
Homem-bomba avança em direção à entrada do templo, com os explosivos na mochila que carrega ás costas
Apanhado pelas câmaras da igreja
Última imagem do suicida
Zahran Hashim
Momento em que o terrorista se cruza com uma menina, no largo em frente à Igreja onde se fez explodir
Homem-bomba avança em direção à entrada do templo, com os explosivos na mochila que carrega ás costas
Apanhado pelas câmaras da igreja
Última imagem do suicida
Zahran Hashim
Momento em que o terrorista se cruza com uma menina, no largo em frente à Igreja onde se fez explodir
Homem-bomba avança em direção à entrada do templo, com os explosivos na mochila que carrega ás costas
Apanhado pelas câmaras da igreja
Última imagem do suicida
Zahran Hashim
Câmaras de videovigilância instaladas nas imediações da igreja de São Sebastião, em Negombo, localidade situada a norte da capital do Sri Lanka, e no interior do templo, captaram imagens de um homem-bomba momentos antes de se fazer explodir junto dos fiéis, que celebravam a ressurreição de Jesus.

Durante o percurso, o terrorista cruza-se com uma criança, que seguia de mão dada com o avô, de nome Fernando. "A mochila ia pesada, pela forma como caminhava. Passou por mim e pela minha neta. Tocou-lhe na cabeça. Era o bombista."

Determinado, o suicida, que carregava às costas a mochila da morte, entrou na igreja, sem levantar suspeitas, acionando os explosivos. Não há registo do número exato de vítimas deste ataque.

Sabe-se, apenas, que foi o mais mortífero de todos. Foram descobertos mais de 100 corpos entre os escombros, engrossando os números do terror, que ontem atingiram os 321 mortos e mais de 500 feridos.

O Daesh já reivindicou a matança, em comunicado propagandístico, mas não é seguro que assim seja, já que, ao contrário de outras ações, não foi divulgado nenhum vídeo dos atacantes a prometerem lealdade ao grupo terrorista. 

Ao invés, crescem suspeitas, cada vez mais fundadas, de que as autoridades cingalesas estavam avisadas para o que poderia acontecer.

Ontem, agências internacionais deram conta de que os serviços secretos do Sri Lanka foram informados horas antes dos ataques, que os mesmos estariam iminentes e que o principal alvo eram as igrejas. A informação partiu dos serviços secretos indianos.

Um aviso que surgiu na sequência de outros alertas feitos antes do dia do terror pela Índia. Fonte do governo indiano disse que foram enviadas mensagens aos serviços secretos do Sri Lanka a 4 e 20 de abril, na véspera do terrível ataque.

Mais de quatro dezenas de pessoas foram detidas desde domingo por suspeitas de ligações aos ataques e o FBI já se disponibilizou para ajudar as autoridades cingalesas a procurar os cúmplices dos assassinos, que fizeram uma vítima portuguesa: Rui Lucas, em lua de mel na capital do Sri Lanka, Colombo.

Morreu à frente da mulher, Sílvia Ramos, no hotel em que estavam hospedados.

PERFIL
Zahran Hashim, o homem apontado como sendo o cabecilha dos atentados no Sri Lanka, é um clérigo radical islâmico conhecido por semear o ódio através de truculentos vídeos publicados no YouTube.

O seu nome foi denunciado por um simpatizante do Daesh detido pelas secretas indianas, diz a CNN. Os alertas às autoridades do Sri Lanka terão sido ignorados.

Nos últimos três anos, o religioso foi acumulando milhares de seguidores perante a passividade da polícia cingalesa. Num dos vídeos aparece com uma bandeira portuguesa em fundo.
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