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Correio da Manhã

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MPLA 'convida' filha de ex-presidente angolano a sair do parlamento

Tchizé dos Santos era deputada daquele partido.
Miguel Alexandre Ganhão(miguelganhao@cmjornal.pt) 9 de Maio de 2019 às 21:04
Tchizé dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos
Tchizé dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos FOTO: Facebook/Tchizé dos Santos

A filha do ex-presidente angolano, José Eduardo dos Santos, foi convidada a abdicar do seu lugar de deputada no parlamento angolano pelo próprio partido que representa: O MPLA.

Segundo um documento a que o CM teve acesso, datado de terça-feira (7 de maio), a Direção Restrita do Grupo Parlamentar do MPLA escreveu à deputada Welwitschia (Tchizé) José dos Santos anunciando que a sua situação tinha sido analisada ao abrigo das alíneas B) e C) do artigo 151 da Constituição da República de Angola, e das alíneas B) e C) do artigo 7º do Estatuto do Deputado.

Face a esta análise aquela organismo considera que a deputada já ultrapassou os 90 dias de ausência do Parlamento, que são permitidos por doença ou pela permanência no exterior do País.

Este facto faz com que aquele órgão do MPLA recomende a suspensão provisória do mandato de deputada, podendo retomar as suas funções  logo que cessem as razões da sua ausência.

Os responsáveis da Direção recomendam que seja a própria Tchizé a escrever ao presidente da Assembleia Nacional pedindo a suspensão do seu cargo de deputada.

No início do ano, Tchizé dos Santos deu uma entrevista á Agência Lusa, em Lisboa, onde foi muito crítica em relação ao novo presidente João Lourenço.

"Eu falo como angolana, não era a transição que nenhum dos angolanos esperava. Para mim, a transição era uma festa, um momento ímpar e havia ali uma transição extremamente pacífica e sem contradições.

Entretanto, pelas declarações do ex-presidente e do atual presidente, há uma contradição pública, não é desejável para nenhum partido politico", afirmou na altura, acrescentando, "nós não queremos novos 'Rafaeis Marques', não queremos novos heróis, não queremos novos presos políticos e gostava de pedir que todos se abstivessem da tentação de manipular, ou tentar manipular, os órgãos do Estado, usando qualquer tipo de influência".

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