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Portugal e vários países da UE reunidos na Costa Rica para discutir crise na Venezuela

Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, vai representar o País na reunião em São José.
Lusa 6 de Maio de 2019 às 05:39
Augusto Santos Silva, ministro dos negócios estrangeiros
Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros
Augusto Santos Silva, ministro dos negócios estrangeiros
Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros
Augusto Santos Silva, ministro dos negócios estrangeiros
Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros

Uma nova reunião ministerial entre países da União Europeia, incluindo Portugal, e latino-americanos para abordar a crise na Venezuela arranca hoje na Costa Rica, com o objetivo de intensificar os esforços diplomáticos para uma solução "política, pacífica e democrática".

A terceira reunião ministerial do Grupo Internacional de Contacto para a Venezuela, que irá decorrer até terça-feira na capital costa-riquenha, São José, acontece numa altura em que a crise política naquele país voltou a intensificar-se, com uma nova escalada dos protestos populares e do braço-de-ferro entre a oposição venezuelana e o regime de Caracas liderado pelo Presidente contestado Nicolás Maduro.

Portugal estará representado na reunião em São José pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Na capital costa-riquenha, entre de outros representantes, estará igualmente a alta representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança e vice-presidente da Comissão Europeia, a italiana Federica Mogherini.

Na semana passada, o Governo português indicou estar a acompanhar "com muita preocupação o desenrolar dos acontecimentos na Venezuela", tendo reafirmado, na mesma ocasião, o apoio "à realização de eleições presidenciais livres, transparentes e justas" naquele país onde residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.

O executivo português reiterou na mesma altura "a sua convicção de que a única solução para a crise venezuelana terá de ser política, pacífica e democrática, respeitando a vontade do povo venezuelano".

"Portugal continuará a manter, nomeadamente no quadro da UE e do Grupo Internacional de Contacto para a Venezuela, uma posição de defesa de uma solução negociada para a crise que garanta aos venezuelanos a oportunidade de se expressarem livremente quanto ao rumo que pretendem dar ao seu país", referiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) num comunicado divulgado na quinta-feira passada.

É neste contexto que Santos Silva estará na capital costa-riquenha, de forma a discutir "com os parceiros europeus, regionais e internacionais, os próximos passos para a criação das condições necessárias à realização de eleições livres e credíveis".

"Para o governo da Costa Rica, a reunião em São José representa um reconhecimento da liderança e dos esforços diplomáticos realizados na procura de uma saída política para a crise na Venezuela", afirmou, por sua vez, o chefe da diplomacia costa-riquenha e anfitrião do encontro ministerial, Manuel E. Ventura Robles.

Além de Portugal, integram o Grupo Internacional de Contacto para a Venezuela outros sete países europeus (Espanha, Itália, Reino Unido, Holanda, Alemanha, França e Suécia), a UE, e quatro países latino-americanos (Costa Rica, Equador, Uruguai e Bolívia).

A legitimidade do regime do Presidente Nicolás Maduro é questionada há vários meses internamente, pela oposição e pela população nas ruas, mas também a nível internacional.

No final de janeiro deste ano, o presidente do parlamento venezuelano, Juan Guaidó, autoproclamou-se Presidente interino da Venezuela e foi quase de imediato reconhecido por mais de 50 países, indicando ser seu objetivo conduzir o país à realização de "eleições livres e transparentes".

Guaidó, que tem estado na rua com a população, em gigantescos protestos, e que anunciou na passada terça-feira o apoio de uma parte das Forças Armadas do país - embora estas tenham depois assegurado que se mantêm leais a Maduro -, quer que o líder chavista abandone o poder e que os venezuelanos possam escolher os seus governantes.

À crise política na Venezuela soma-se a uma grave crise económica e social que já levou mais de três milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.

O clima de crise e de incerteza política também tem tido repercussões no abastecimento energético do país, que enfrenta igualmente falta de medicamentos e de alimentos, bem como dificuldades de acesso à ajuda humanitária.

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