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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Carlos Moedas

Assustador

Mais de metade dos estados-Membros já têm partidos de extrema-esquerda e direita com representação parlamentar.

Carlos Moedas 3 de Maio de 2019 às 00:30
Há exatamente 15 anos a União Europeia recebia 10 novos Estados-membros naquele que seria o maior alargamento da União até à data: Polónia, Hungria, República Checa, Eslováquia, Eslovénia, Lituânia, Letónia, Estónia, Malta e Chipre.

Muitos chamaram a este alargamento o "Big Bang" pela coragem, arrojo e visão que representou. Ter a capacidade de absorver e lidar de uma só vez com 10 países e conseguir incentivar as mudanças estruturais extraordinárias que vimos nestes 15 anos é algo de verdadeiramente único.

Esta quarta-feira falava com os meus colegas bálticos sobre este momento histórico.

O meu colega lituano nasceu num Gulag e viveu a repressão do regime comunista até à idade adulta. É arrepiante ouvi-lo contar as histórias da violência do comunismo, histórias que nunca devemos esquecer.

O meu colega da Estónia que foi antigo primeiro-ministro referia o grande milagre económico que estes países viveram desde a entrada na UE. Dizia ele que em 15 anos a economia da Estónia mais do que duplicou e o salário médio triplicou tornando-se numa das sociedades mais modernas e digitais do mundo.

Por isso nada levaria a crer que nas últimas eleições legislativas, o partido neo-nazi e de extrema-direita EKRE ficaria em terceiro lugar com quase 18%.

Hoje integram o governo e os novos ministros das Finanças e do Interior fizeram na sua tomada de posse algo inadmissível, o gesto típico dos racistas da chamada supremacia branca que consiste em unir o polegar com o indicador e esticar os outros dedos para o ar representando assim com os três dedos no ar a letra W (de White) e com o indicador e polegar a letra P (de Power).

Como é possível? Como podemos aceitar o regresso desta política do ódio? Estes comportamentos são inaceitáveis na União Europeia e temos que condená-los de imediato.

Muitos foram aqueles que no país e fora dele já vieram condenar mas para mim fica a frase da Presidente da Estónia, uma mulher corajosa e determinada, que na abertura do Parlamento disse: "Não temos uma crise da democracia, temos sim uma crise de valores."

É urgente refletir numa Europa em que mais de metade dos Estados-membros da União já têm partidos de extrema-esquerda e direita com representação parlamentar acima dos 10%.

O perigo quase invisível dos microplásticos
Em 2015, fiz aprovar a criação de um grupo de sete peritos científicos independentes para ajudar a Comissão Europeia a tomar decisões com base na ciência. Se as decisões são fruto de escolhas políticas, não devem deixar de basear-se em factos científicos. Este grupo já emitiu pareceres que fundamentaram decisões sobre questões como as emissões de CO2, cibersegurança e glifosatos.

Esta semana, foi-me entregue o último parecer sobre os microplásticos que conclui que este tipo de poluição vai continuar a aumentar os riscos para a saúde e ambiente. Todos já vimos fotografias de plásticos a poluir os oceanos, mas ainda conhecemos muito pouco sobre os microplásticos, muitas vezes invisíveis e que podem mesmo entrar diretamente nas células com efeitos extremamente nocivos.

Para dar mais visibilidade a esta causa, convidei a artista Filipa Bessa a expor as suas obras fotográficas «Zooplastic» em Bruxelas. Investigadora na Universidade de Coimbra conseguiu capturar a realidade dos microplásticos, feita de partículas quase invisíveis fotografadas através de microscópios. Um exemplo notável em que a arte e a ciência andam de mãos dadas para alertar para os perigos que nos rodeiam.

DiscoverEU: jovens viajam com a UE 
20 mil novos passes de via-gem estão dispo-níveis para jo-vens de 18 anos descobrirem a diversidade cultural, conhecerem outras pessoas e vivenciarem o que, na Europa, nos une. O progra-ma está mais inclusivo e aces-sível. Mais uma oportunidade para viverem uma verdadeira experiência europeia.

Amazon desumana
A empresa instalou um sistema digital para monito-rizar a produtivi-dade dos trabalhadores. Em caso de falta de rendimento, é emitido automaticamente um aviso e dispensado o trabalhador sem intervenção humana, o que já levou ao despedimen-to de mais de 300 trabalhadores. Não é para isso que se quer a digitalização da indústria.

333 400
… é o número de pedidos de asilo concedidos em 2018 na UE, uma queda de mais de 40% comparado com os anos anteriores. Os beneficiários são originários da Síria, Afeganistão e Iraque. Mais de 40% receberam asilo na Alemanha, seguindo-se a França e Itália. Em média, apenas 37% dos pedidos tive-ram uma resposta positiva.

Uma Europa que...
... Apoia agricultores com uma nova linha de crédito de 1000 milhões para respon-der às dificuldades em obter financia-mento junto dos bancos. 11 % dos agricultores europeus têm menos de 40 anos e necessitam de fazer grandes investimentos para lançar a atividade.
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