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Carlos Moedas

O Futuro precisa de nós

A Europa sempre se diferenciou pelo seu pilar social, pela importância que atribui à dignidade de cada um.

Carlos Moedas 1 de Fevereiro de 2019 às 00:30
O desemprego é o problema social mais grave da Europa. Cada um de nós passou por essa situação ou conhece alguém próximo que já a viveu. Cada desempregado vive uma tragédia pessoal e familiar. E, para além disso, representa um talento desperdiçado, implicando custos para o Estado e criando uma inevitável tensão social.

O desemprego e o medo do desemprego são também uma das grandes causas do populismo. A generalidade das pessoas veem a globalização e a tecnologia como ameaças ao seu emprego. A globalização e a tecnologia têm levado a uma maior prosperidade geral, a mais saúde e bem-estar, a uma maior diversidade de oportunidades.

Mas para importantes segmentos da população tem criado desemprego e ainda pode vir a criar mais. As pessoas receiam não só o presente, mas sobretudo o futuro. Um famoso artigo da revista ‘Wired’ tinha como título: "O futuro não precisa de nós." É um bom resumo da ansiedade contemporânea.

A Europa sempre se diferenciou pelo seu pilar social, pela importância que atribui à dignidade de cada um e do seu trabalho. É por isso que terá de ser pioneira na procura de soluções para que o futuro precise de nós. Não podemos esperar pelos outros, temos de ter a dianteira.

De tudo o que tenho lido e ouvido enquanto Comissário Europeu vejo que não há soluções milagrosas nem perfeitas. Mas existem dois tipos de modelos na Europa. O primeiro, que encontramos em países como Portugal, Espanha e França, protege os cidadãos de forma bastante desigual: protegendo os que já estão dentro do sistema e deixando todos os outros em situação muito precária.

No fundo, fomos protegendo os que estão dentro à custa dos que estão fora. O segundo, cujo melhor exemplo é a Dinamarca, proporciona um nível de proteção mais equilibrado através da chamada ‘Flexigurança’. Se me perguntarem que opção tomar, não hesito em favorecer a solução dinamarquesa.

Nesse país, todos vivem sob o mesmo triângulo laboral: no primeiro vértice a flexibilidade laboral, que permite às empresas adaptarem-se ao mercado; no segundo vértice, uma rede social generosa, mas com mecanismos para evitar que as pessoas perdurem no desemprego; e, no terceiro vértice, medidas pró-ativas do Estado que ajudam todo e cada desempregado a desenvolver competências e a reintegrar-se rapidamente no mercado de trabalho.

Talvez não seja coincidência que a Dinamarca seja o país da UE mais favorável à globalização, com mais de 80% cidadãos favoráveis. É possível construir um futuro que precise de nós, desde que não deixemos ninguém de fora.

Greta Thunberg: os políticos como crianças
Esta semana vi um tweet do Presidente Trump que dizia que no Midwest americano estão temperaturas que chegam aos 50o C negativos. Por isso, pergunta ele: onde está o aquecimento global? Mas é exatamente esse um dos efeitos do aquecimento global: por cada grau de aquecimento, os extremos de temperatura aumentam. Ou seja, o muito quente e o muito frio serão cada vez mais violentos.

Na semana passada, uma jovem de 16 anos chamada Greta Thunberg dizia em Davos: "Os nossos políticos são como crianças." A primeira vez que ouvi falar dela foi pela minha filha mais velha, que um dia chegou a casa a dizer que ia fazer greve e participar numa manifestação para lutar contra as mudanças climáticas, iniciativa lançada por esta jovem sueca.

Fiquei orgulhoso da minha filha e convencido de que esta nova geração não vai parar até que os políticos atuem.

A UE foi em grande parte responsável por consciencializar a minha geração para os temas ambientais. Esta geração não só está amplamente consciente, como irá forçar os políticos a tomarem decisões firmes. Porque é uma geração que neste tema parece ser mais adulta e responsável do que muitos dos nossos políticos.

Guaidó: o novo rosto da Venezuela 
Foi corajoso Juan Guaidó ao auto-proclamar-se Presidente interino. Foi o rastilho para obter o apoio da população e da comunidade internacional, com destaque para o ultimato europeu a exigir eleições em 8 dias. Tal como na nossa revolução, espero que os militares saibam defender o lado certo da História.

Dyson deslocaliza para Singapura
James Dyson, multimilionário inglês inventor dos aspiradores com o seu nome, foi um dos mais fervorosos defensores do Brexit. Anunciou agora que deslocalizará a sede da sua empresa para Singapura e que vai construir aí uma fábrica de carros elétricos. Mais uma prova da hipocrisia e do egoísmo que moveu a campanha do Brexit.

21 000
… alunos portugueses foram estudar, receber uma formação ou fazer voluntariado ao abrigo do Erasmus+ em 2017, registando a maior participação de sempre. O orçamento anual de 2,6 mil milhões de euros permite ser mais inclusivo a pessoas de meios desfavorecidos, bem como a organizações de menor dimensão.

Uma Europa que...
Aplicou multas de 1000 milhões de euros ao setor farmacêutico entre 2009 e 2017, pondo cobro a concertação de preços, pagamentos ilegais para atrasar genéricos e obstáculos ao desenvolvimento de novos remédios, com impactos na saúde e bolso dos doentes.
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