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Carlos Moedas

Oportunidade para a Europa

Se nada fizermos, atingiremos nos próximos 10 anos um aumento de 1,5º C com efeitos catastróficos e irreversíveis.

Carlos Moedas 19 de Outubro de 2018 às 00:30
O combate às mudanças climáticas é provavelmente o maior desafio global que temos entre mãos. Exige um trabalho contínuo entre o sector privado e o sector público, o que nem sempre é fácil.

Na semana passada um relatório das Nações Unidas colocou o cenário que temos pela frente de forma muito clara. Desde 1900 a temperatura da terra já aumentou em 1º C e esse aquecimento está em aceleração. Se nada fizermos, atingiremos nos próximos 10 anos um aumento de 1,5º C com efeitos catastróficos e irreversíveis.

Em 2015, no famoso Acordo de Paris (COP21) um grupo de 23 países e a União Europeia assumiu publicamente o compromisso em duplicar o investimento público em investigação e desenvolvimento na área das energias limpas. Consegui na altura convencer os meus colegas que deveríamos comprometer-nos e dar o exemplo a nível europeu.

Em 2016, representei a Comissão Europeia em São Francisco na primeira reunião deste projeto agregador e foi extraordinário sentir que aos olhos do mundo a Europa é vista como líder neste tema crucial para o nosso futuro coletivo. Lembro-me de Ernst Moniz, o antigo ministro da Energia dos EUA (e curiosamente descendente de portugueses) passar-me a palavra dizendo que a Europa era um exemplo a seguir.

Convencer o sector público era apenas o primeiro passo. Era essencial criar pontes com os investidores privados para que nos ajudem a transformar o conhecimento que financiamos em novas empresas, novas soluções e novos produtos. Comecei nessa reunião um diálogo com Bill Gates e muitos outros investidores conscientes deste desafio.

Esta semana atingimos um marco concreto nessa colaboração. Assinámos a criação do primeiro fundo de investimento em energias limpas, com um montante inicial de 100 milhões de euros. Metade do fundo será financiado pela Comissão Europeia e metade por um consórcio dos maiores investidores privados em energias limpas.

Foi um momento marcante. Não só a UE está a liderar o combate às alterações climáticas, como estamos a criar oportunidades para os cientistas e empreendedores europeus.

É verdade que o combate ao clima é um dos maiores desafios para a humanidade, mas é também uma oportunidade única para a Europa. Esta semana foi prova disso.

TUMO – Educação no Futuro 
Em 2016 descobri em Yerevan, na Arménia, aquele que considero o projeto educativo mais inovador do mundo. Uma prova de que a excelência e a inovação vêm muitas vezes de onde menos se espera.

TUMO é uma escola complementar ao ensino geral, que os alunos frequentam depois de acabarem o seu dia normal de aulas, e onde aprendem de forma criativa a trabalhar com tecnologia. Aqui, o aluno está no centro do sistema, definindo o seu próprio caminho, seguindo a sua paixão e curiosidade. No final recebe um pequeno livro com o qual pode demonstrar aos empregadores o que sabe fazer.

Marie Lou Papazian, que desenvolveu o projeto, criou um software que ajuda os alunos a desenvolverem as suas capacidades e a explorar áreas que desconheciam. É extraordinário ver alunos de dança que descobrem que gostam de robótica; de alunos que misturam a música com a informática. A escola é gratuita e só impõe uma regra: quem faltar duas vezes sem justificação não pode voltar.

Na Web Summit 2017 dei o prémio da cidade mais inovadora da Europa a Paris. A presidente da câmara, Anne Hidalgo, investiu todo o valor do prémio numa Escola Tumo em Paris, que inaugurei esta semana. Gostaria, um dia, de ver uma Escola Tumo em Portugal.

Portugal, estrela dos Regiostars  
Portugal está de parabéns ao ver dois projectos premiados: o Centro de Negócios e Serviços Partilhados do Fundão, na categoria de apoio à transição industrial inteligente, e o Museu Vista Alegre, na categoria prémio do público. A CCDR-Centro, presidida pela incansável Ana Abrunhosa, apoiou os projectos.

1/5 dos europeus em risco de pobreza
Apesar de estar em queda, o número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social na UE é cerca de 113 milhões de pessoas, ou seja 22% da população. A redução do número de pessoas nesta situação é um dos principais objetivos da Estratégia Europa 2020. Em 2017, Portugal surge em 11.º lugar.

172 ...milhões de euros para promover produtos agro-alimentares europeus tanto na UE como a nível mundial. Com campanhas de promoção para produtos lácteos, azeitonas e azeite, frutas e hortícolas pretende-se abrir novos mercados e dar maior visibilidade à qualidade dos alimentos biológicos e com indicações geográficas...

Uma Europa que...
instituiu...uma nova sinalética europeia para os diferentes combus- tíveis, o que permite uma escolha mais informada dos con- sumidores. Todas as bombas de abasteci- mento e tampas de depósito dos carros usarão os novos ró- tulos. estas regras vão ajudar a reduzir as emissões poluentes. 
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