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Carlos Moedas

Uma imagem do desconhecido

Foi apresentada ao mundo a primeira fotografia de um buraco negro, um extraordinário avanço para a ciência.

Carlos Moedas 12 de Abril de 2019 às 00:30
Na passada quarta-feira foi apresentada ao Mundo a primeira fotografia de um buraco negro. Trata-se de um extraordinário avanço para a ciência, pois nunca antes pudemos ver a configuração desta misteriosa componente do nosso Universo.

Os buracos negros são estruturas gravitacionais que funcionam em circuito fechado e que Albert Einstein teorizou em 1915. Tudo o que acontece dentro deles não é visível a partir do exterior – nem a própria luz. No interior destas estruturas, o espaço e o tempo poderão reger-se segundo regras diferentes daquelas que conhecemos. E por isso estas estruturas têm um enorme interesse científico.

Até agora nunca ninguém tinha conseguido fotografar um buraco negro pela distância a que estes se encontram da Terra – como afirmou o diretor deste projeto, é como tirar uma fotografia a partir da Terra a uma laranja na superfície da lua.

Esta primeira imagem abre o caminho para um maior conhecimento sobre os buracos negros e permitirá testar anteriores teorias que até hoje eram meramente especulativas. Para percebermos o impacto desta fotografia no seio da comunidade científica, podemos imaginar como teria sido se Cristóvão Colombo, ao chegar pela primeira vez à América, tivesse tirado uma fotografia e a trouxesse aos Europeus.

Este grande avanço parecia inalcançável para muitos e só se tornou possível graças a dois ingredientes principais: uma cooperação científica à escala planetária e o financiamento da União Europeia.

Em primeiro lugar, a fotografia exigiu o trabalho conjunto de cerca de 200 investigadores na Europa, Estados Unidos e Ásia. Foi necessário sincronizar vários telescópios em redor da Terra para, em conjunto, se conseguir criar um único telescópio virtual com um alcance e resolução sem precedentes. Este projeto mostra assim que o trabalho colaborativo expande os horizontes da ciência.

Em segundo lugar, o projeto beneficiou de fundos da UE para a Ciência e Inovação, que possibilitaram o trabalho de alguns dos principais cientistas envolvidos no projeto, ao longo de vários anos. É mais um exemplo de um investimento ambicioso e paciente da UE que trouxe os seus frutos.

Esta fotografia abre a porta a muitos outros estudos e descobertas que nos darão uma imagem cada vez mais nítida do Universo.

Braga celebra a União Europeia
Comecei esta semana em Braga a visitar o Laboratório Ibérico de Nanotecnologia. Iniciado em 2008, este projeto de investigação de excelência entre Espanha e Portugal tornou-se rapidamente um dos melhores exemplos de sucesso da colaboração científica nestas áreas.

Foi o local escolhido para reunir os investigadores bolseiros do Conselho Europeu da Investigação (ERC) de ambos os países, que já são mais de 500, financiado pelo programa europeu Horizonte 2020.

Foi um momento de troca de experiências e partilha de conhecimento entre estes cientistas que trato carinhosamente por ‘mini-Nobel’ dado o valor e relevância desta bolsa europeia.

Aproveitei ainda para inaugurar o projeto P5, um centro de medicina digital de acompanhamento de doentes crónicos (diabéticos e hipertensos), da Universidade do Minho, sob a liderança do Prof. Nuno Sousa.

Numa altura em que se fala de centralismo de Lisboa, é gratificante observar que a Universidade do Minho é a que mais verbas arrecadou até hoje do Horizonte 2020 em Portugal. Em todos estes eventos, a presença e a mais-valia europeia foi por demais evidente.

Decidi assim aceitar o convite de Ricardo Rio para organizarmos em Braga as celebrações do Dia da Europa, no próximo dia 9 de maio.

José Pedro Aguiar-Branco 
Mário Ferreira alcançou mais um sucesso com a inauguração de um paquete construído em Portugal. Desmentiu-se assim os que vaticinaram a morte dos estaleiros de Viana do Castelo aquando da privatização, que até velório mereceu. É bom relembrar a visão e dedicação de Aguiar-Branco no projeto.

Extremas-direitas organizam-se
Sob a batuta de Matteo Salvini, os partidos de extrema-direita querem formar um grupo político europeu. Apesar das posições muito vincadas de cada um, tentam entendimentos por puro pragmatismo. Ao constituírem um grupo único, estes partidos terão mais peso no Parlamento Europeu e beneficiarão de financiamentos públicos europeus.

Sete
Sete milhões de euros que Moçambique vai receber da UE de ajuda humanitária devido ao ciclone ‘Idai’. A verba destina-se a providenciar abrigos, água potável, saneamento básico e ajuda alimentar.

Esta ajuda complementa os 3,75 milhões de euros atribuídos imediatamente após o ciclone ‘Idai’, que atingiu três países a 14 de março.

Uma Europa que...
Uma Europa que reduz o número de vítimas mortais de acidentes de viação nas estradas.

Comparado com 2010, verifica-se este ano uma redução da mortalidade de 20%, com uma média de 49 mortes por milhão de habitantes, o que confirma que as estradas europeias são as mais seguras do mundo.
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