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Correio da Manhã

Política
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Fatura de mil milhões de euros chega já em 2020

Executivo revela gastos com descongelamento e progressões.
Bernardo Esteves 4 de Maio de 2019 às 09:56
Antecipar a contabilização de 2 anos, 9 meses e 18 dias para 1 de janeiro, nos professores, custa 200 milhões este ano
Os professores conseguiram que a Assembleia da República aprovasse a sua reivindicação
Professores têm reivindicado a recuperação a 100% do tempo de serviço. Governo responde, dizendo que não existem condições financeiras para tal
Antecipar a contabilização de 2 anos, 9 meses e 18 dias para 1 de janeiro, nos professores, custa 200 milhões este ano
Os professores conseguiram que a Assembleia da República aprovasse a sua reivindicação
Professores têm reivindicado a recuperação a 100% do tempo de serviço. Governo responde, dizendo que não existem condições financeiras para tal
Antecipar a contabilização de 2 anos, 9 meses e 18 dias para 1 de janeiro, nos professores, custa 200 milhões este ano
Os professores conseguiram que a Assembleia da República aprovasse a sua reivindicação
Professores têm reivindicado a recuperação a 100% do tempo de serviço. Governo responde, dizendo que não existem condições financeiras para tal
O Ministério das Finanças (MF) divulgou esta sexta-feira um documento em que estima um custo de 1009 milhões de euros em 2020 com o descongelamento e a recuperação do tempo de serviço dos professores e das restantes carreiras especiais, caso seja aprovada a recuperação integral do tempo congelado.

Segundo o MF, a somar ao gasto de 428 milhões de euros com o descongelamento haveria mais 581 milhões destinados à recuperação do tempo de serviço de docentes, polícias, magistrados e outras carreiras especiais.

"440 milhões de euros correspondem à recuperação dos 2 anos, 9 meses e 18 dias, e 141 milhões estão associados à recuperação de um quarto do restante tempo", refere o documento das Finanças, sem precisar por que motivo optou por incluir na estimativa especificamente um quarto do tempo a recuperar.

Em relação apenas aos professores, o Governo adianta que ao antecipar a contabilização dos 2 anos, 9 meses e 18 dias para 1 de janeiro de 2019, como foi aprovado pela comissão parlamentar de Educação, terá "um impacto financeiro adicional de 200 milhões de euros em 2019 e de 140 milhões de euros em 2020".

Nas contas apresentadas por Mário Centeno quando esteve esta semana no Parlamento, o Governo considerou que com a recuperação integral os professores teriam um aumento médio de 205 euros com cada progressão de escalão.

Os números do Governo têm sido e continuam a ser refutados pelos docentes, que acusam o Executivo de inflacionar custos para colocar a opinião pública contra os professores.

Sindicatos exigem tratamento idêntico
Os sindicatos que representam os polícias, guardas prisionais, profissionais de investigação criminal e as Forças Armadas pedem tratamento idêntico ao dos professores: exigem a contabilização do tempo total de serviço que esteve congelado.

"Enviámos um pedido de esclarecimento sobre qual a forma de aplicação da contagem aos profissionais de Polícia. O não cumprimento desta reivindicação levará ao recurso aos tribunais e a formas de luta", revela Paulo Rodrigues, da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia.

A mesma posição é defendida por Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses. "Entendemos que o Parlamento não se deve preocupar só com algumas classes, mas também com os bombeiros que há anos reivindicam a bonificação do tempo de serviço para efeitos de reforma", critica.

Centeno fala em Guardiola e Mourinho
Mário Centeno comparou ontem a discussão sobre os professores ao mundo do futebol.

"Arrisco a dizer que Mourinho e Guardiola, quando treinavam o Real Madrid e o Barcelona, discutiam mais as táticas das suas equipas do que os partidos discutiram a Educação em Portugal em conjunto. Não têm nada a ver uns com os outros", comentou, após acusar a esquerda de se desviar para ser ultrapassada pela direita.
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