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Correio da Manhã

Política
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Moção de confiança sujeita a voto secreto

Se direção não aceitar, opositores impõem.
Diana Ramos e Salomé Pinto 15 de Janeiro de 2019 às 08:45
Rui Rio foi acusado de não fazer oposição. Esta semana, o líder do PSD tem agenda carregada com visitas a empresas
Luís Montenegro
Rui Rio foi acusado de não fazer oposição. Esta semana, o líder do PSD tem agenda carregada com visitas a empresas
Luís Montenegro
Rui Rio foi acusado de não fazer oposição. Esta semana, o líder do PSD tem agenda carregada com visitas a empresas
Luís Montenegro
Não há memória na história recente do PSD de um conselho nacional extraordinário ser chamado a votar uma moção de confiança. Por isso, os detalhes estão a gerar celeuma na guerra que coloca frente a frente Rui Rio e Luís Montenegro.

A direção de Rio tem preferência por uma votação de braço no ar. Os críticos não veem isso com bons olhos, por temerem pressões.

Pedro Pinto, presidente da distrital de Lisboa, afirma ao CM que a Mesa do Conselho Nacional deve clarificar já o processo. Se nem a direção nem a mesa forem nesse sentido, o próprio regulamento prevê que possa ser pedida votação secreta por 10% dos conselheiros.

"Uma forma de pressão é o braço no ar", diz ao CM Pedro Pinto, lembrando que só por voto secreto se pode ter "um processo transparente". "Não faria sentido que ao fim de 40 anos o PSD fizesse um retrocesso", adianta o dirigente que "para quem veio falar de golpes palacianos", a forma como está a ser gerida a marcação do conselho nacional extraordinário parece também "ser em si mesma um golpe".

A reunião terá lugar na quinta-feira, no Porto, às 17h00. Por norma, os conselhos nacionais têm lugar ao fim do dia, pelas 21h00. "É uma marcação feita à medida desta direção", afirma Pedro Pinto.

Tem havido deputados a pedir a Fernando Negrão que sensibilize a direção, de forma e evitar a imagem de uma bancada social-democrata vazia por causa da reunião. Ontem, houve nova reunião dos opositores de Rio para nova avaliação dos apoios dos conselheiros. O mesmo processo tem sido feito pelos homens de Rio.

Luís Montenegro foi a Belém para expor a Marcelo Rebelo de Sousa os motivos que o levaram a avançar. O ex-deputado acusou Rio de ter medo. "Não teve coragem de responder ao meu repto e não marcou eleições diretas". 

A Norte, Rio afirmou que "a função do presidente do partido não é trazer as questões internas para a praça pública". "Vou responder a tudo, dentro do conselho nacional."

Conselho Nacional convoca reunião à revelia da mesa
O presidente da Mesa do Conselho Nacional do PSD, Paulo Mota Pinto, marcou a reunião extraordinária de quinta-feira sem consultar o seu primeiro vice-presidente António Almeida Henriques: "Não fui ouvido nem achado, só soube pelos média, é vergonhoso", disse ao CM.

O também presidente da Câmara de Viseu acusou ainda Mota Pinto de "faltar ao respeito ao agendar a reunião para as 17h, em horário laboral". "Parece que o objetivo é limitar a participação dos conselheiros", vincou.
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