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Correio da Manhã

Política
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Rui Rio e Assunção Cristas deixam Costa liderar até ao fim

Recuo da direita dá margem ao primeiro-ministro para levar o Governo em frente.
Wilson Ledo 6 de Maio de 2019 às 08:40
Rui Rio fez declaração sem direito a perguntas
Assunção Cristas explicou posição do CDS-PP em comunicado
Ex-líder do PSD elogia posição
Líder do PS esteve com militantes
Rui Rio fez declaração sem direito a perguntas
Assunção Cristas explicou posição do CDS-PP em comunicado
Ex-líder do PSD elogia posição
Líder do PS esteve com militantes
Rui Rio fez declaração sem direito a perguntas
Assunção Cristas explicou posição do CDS-PP em comunicado
Ex-líder do PSD elogia posição
Líder do PS esteve com militantes
O PSD e o CDS-PP recuaram este domingo na reposição integral da carreira dos professores, atirando o fim da crise política para as mãos do próprio PS. Para isso, a direita coloca uma condição: que a recuperação respeite o equilíbrio das contas do País.

Rui Rio e Assunção Cristas querem que a cláusula de "salvaguarda financeira", contra a qual o PS votou na Comissão de Educação, faça parte do diploma final que será votado até 15 de maio no Parlamento. Colocam-se então três cenários. E, em dois deles, António Costa sai ‘vencedor’.

O PS vota a favor dessa cláusula e o diploma segue em frente. Nesse caso, o primeiro-ministro pode avançar com a demissão porque a lei foi aprovada ou alegar que, tendo havido uma alteração ao texto inicial e eliminados os receios em relação ao impacto nas contas públicas, se mantém no cargo até ao fim da legislatura.

Já caso o PS vote contra a proposta de alteração, PSD e CDS-PP mudam também a intenção de voto e deixam cair a reposição de mais de nove anos de carreiras dos professores. Neste caso, o fim da crise política é certo, com Costa a levar a sua avante. Contudo, diz Rio, será revelada a "hipocrisia" socialista.

Depois de dois dias de reflexão, Rui Rio quebrou o silêncio numa declaração sem direito a perguntas, em que acusou o Governo de levar a cabo uma "encenação com fraco sentido de Estado" e ainda de mentir sobre os números.

Caso o diploma seja chumbado na votação final global, o líder do PSD assume, no programa eleitoral das legislativas, este "compromisso" de repor as carreiras dos professores, justificando que há "diversas formas" para o fazer.

Já de manhã, em comunicado, Cristas reconhecia que os centristas só votariam a favor do diploma se fossem aceites as condições do partido, que faz depender a reposição do próprio crescimento económico.

Marques Mendes diz que Costa é o "grande vencedor"
O comentador defendeu este domingo que "António Costa é o grande vencedor" desta crise política. "Costa ganhou autoridade. Rio e Cristas perderam", afirmou.

O antigo líder do PSD acredita que esta "foi talvez a melhor prestação política de António Costa desde que é primeiro-ministro" e reconhece-lhe inteligência. "Costa estava à defesa e encontrou uma oportunidade para passar ao ataque", rematou.

Primeiro-ministro insiste no chumbo de "erro" da oposição
Costa reagiu este domingo ao desafio do PSD. "Votaremos contra este projeto no plenário. Não deixaremos que este projeto seja aprovado", afirmou em Campo Maior.

Costa não referiu, contudo, se este chumbo terá lugar mesmo com a "salvaguarda financeira" proposta pela direita. Costa acusou PSD e CDS-PP de propor "uma mão-cheia de nada para os professores e uma conta calada para os portugueses pagar" e exige-lhes que "emendem o erro".

PORMENORES
Cedências e calculismo
O PCP acusou este domingo a direita de ter cedido ao "ultimato do Governo" sobre a proposta de contagem total do tempo de serviço dos professores e de convergir com o PS por "meros critérios de calculismo".

Estabilidade em causa
A coordenadora do BE, Catarina Martins, considerou que o primeiro-ministro pôs "em causa a estabilidade" do País porque as Europeias "estavam a correr mal" e desafiou o PS a manter o acordo e não se aliar à direita.

Crise artificial
O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, acusou este domingo o PS de ter criado uma crise artificial no País a propósito da aprovação na Assembleia da República da contabilização de todo o tempo de serviço dos professores.
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