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Correio da Manhã

Portugal

População espera acesso alcatroado até às casas em Vinhais

Em Vale de Abelheira não chega o carteiro e até o padre deixou de comparecer.
Tânia Rei 24 de Dezembro de 2018 às 08:42
António Fernandes e Teresa Fortunato
Habitantes de Vale de Abelheira têm de ir buscar correio a cruzamento
António Fernandes e Teresa Fortunato
Habitantes de Vale de Abelheira têm de ir buscar correio a cruzamento
António Fernandes e Teresa Fortunato
Habitantes de Vale de Abelheira têm de ir buscar correio a cruzamento
Vale de Abelheira pertence à freguesia de Celas, Vinhais. Restam apenas 10 habitantes - oito adultos e duas crianças –, todos familiares. O morador mais velho tem 83 anos. O mais novo tem 10. Aqui não há estrada alcatroada, não chega o carteiro e até o padre deixou de comparecer, porque foi para outro local. A população espera desde sempre por melhores acessos.

Para chegar à localidade é preciso fazer mais de três quilómetros em terra batida. O transporte público mais próximo fica a cinco quilómetros. Os mais novos, que estudam em Vinhais, são levadas pelos pais, diariamente, até a um ponto de encontro para seguirem para a escola. A vila mais próxima, Torre de Dona Chama, concelho de Mirandela, está a 16 quilómetros.

"O correio fica no cruzamento da aldeia, nós é que temos de o ir buscar. Aqui não vem nada. Não vem o merceeiro ou o carro do peixe. Já vieram vários padeiros, mas deixaram de vir", desabafa Teresa Fortunato, de 68 anos, que acredita que se a estrada fosse melhorada tudo seria diferente: "Gostávamos aqui de mais gente."

António Fernandes é o mais idoso da povoação. Conta que até já foram feitas medições para asfaltar o caminho: "O tempo vai passando e vão-nos entretendo", lamenta.

Quanto ao correio, António nem o recebe: "Vai para Agrochão [aldeia próxima], que há lá uma rua com o mesmo nome." Já foram 80 habitantes, mas agora só há ruínas: "Se fizessem casas de turismo rural era uma beleza. Íamos receber mais pessoas", lança António.

Apesar do isolamento, Vale de Abelheira continua a organizar uma festa, em agosto, que não dispensa um almoço convívio e uma missa - para o ano a preocupação é se haverá alguém que possa rezar a Eucaristia.
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