Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
5

Azeredo Lopes soube de ilegalidade e nada fez

Ex-ministro da Defesa disse que PGR o informou do “arrepio” da PJM no ‘achamento’ do material de guerra furtado de Tancos.
Sérgio A. Vitorino 8 de Maio de 2019 às 09:21
Azeredo disse nada saber de “encobrimento”, mas assume que foi avisado da atuação irregular e não avisou o PM
Azeredo Lopes
Azeredo Lopes, ex-ministro da Defesa
António  Costa com o então ministro da Defesa, Azeredo Lopes, em 2017
Azeredo disse nada saber de “encobrimento”, mas assume que foi avisado da atuação irregular e não avisou o PM
Azeredo Lopes
Azeredo Lopes, ex-ministro da Defesa
António  Costa com o então ministro da Defesa, Azeredo Lopes, em 2017
Azeredo disse nada saber de “encobrimento”, mas assume que foi avisado da atuação irregular e não avisou o PM
Azeredo Lopes
Azeredo Lopes, ex-ministro da Defesa
António  Costa com o então ministro da Defesa, Azeredo Lopes, em 2017
O anterior ministro da Defesa Azeredo Lopes assumiu esta terça-feira ter sabido a 18 de outubro de 2017, após aviso da ex-PGR, Joana Marques Vidal, que a ação da PJ Militar de ‘achamento’ do material de guerra furtado de Tancos em junho desse ano foi "ao arrepio do Ministério Público".

Ilegalidade que, dois dias depois, foi transmitida ao seu gabinete, em memorando, pelo ex-diretor Luís Vieira e pelo investigador da PJM Vasco Brazão. E não avisou António Costa. Nem promoveu ação disciplinar por se convencer que a PGR o faria.

Ouvido na comissão parlamentar, Azeredo - que só se demitiu um ano (12 de outubro de 2018) após saber da ilegalidade e no dia que o memorando entregue a 20 de outubro de 2017 chegou ao gabinete do PM - disse que, apesar de não ter avisado Costa - "tive conhecimento do informador e não transmiti ao senhor PM" -, não faltou ao "dever de diligência".

Assumiu ter sido informado "várias vezes pelo próprio" da discordância de Vieira com a decisão da PGR em dar a liderança à PJ civil, mas que só soube da "investigação paralela" quando foi avisado por Marques Vidal, dia 18.

"Não informou o primeiro- ministro e deveria ter informado, porque ele a dia 20 elogiou PJM e GNR", disse Telmo Correia (CDS), que acusou Azeredo de durante um ano "saber do jogo viciado, com indícios óbvios que justificavam atuação".

Berta Cabral (PSD) apontou-lhe "não ter dado importância" às discordâncias da PJM com a PGR e "daí veio o resto": investigação paralela contra as ordens de Vidal e encenação do ‘achamento’.

Azeredo disse que não abriu despacho ao memorando porque "não justificava, nem tinha dignidade" e foi dado como "guião a destruir".

Foi o último ouvido (4 horas) na comissão (faltam as respostas por escrito do PM) e acusado pelo PSD de "arrogância", "soberba" e "respostas ardilosas".

PORMENORES 
Demissão e PR
Ponderou "várias vezes" a demissão e saiu a seu "pedido". Afirmou que o chefe de gabinete lhe "deu conhecimento" do "essencial" do memorando de dia 20 e disse: "O Presidente nunca me pediu para falar com a ministra da Justiça sobre Tancos."

Leu junto a Costa
Azeredo explicou que só o leu a 12 de outubro de 2018, no gabinete do PM, quando comunicou a demissão. O chefe de gabinete do PM, Francisco André, disse que Costa ficou com "convicção" de ser verdade e deu ontem o memorando à comissão.

Não decapitar
Azeredo afirmou não ter demitido o general Rovisco Duarte para "proteger o Exército de decapitação". "Havia responsabilidades abaixo dele", disse, criticando "posts de Facebook" de generais. O furto de Tancos, em junho de 2017, tem 21 arguidos.
Ver comentários