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Correio da Manhã

Portugal
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Deputado e autarca acusado de atropelamento concorda com grande parte de acusação

Pedro Alves é acusado de atropelar uma cantoneira em 2016.
Lusa 9 de Maio de 2019 às 05:31
Pedro Delgado Alves
Pedro Delgado Alves
O deputado socialista Pedro Delgado Alves
Pedro Delgado Alves
Pedro Delgado Alves
O deputado socialista Pedro Delgado Alves
Pedro Delgado Alves
Pedro Delgado Alves
O deputado socialista Pedro Delgado Alves
O deputado na Assembleia da República e presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, Pedro Alves, concordou esta quinta-feira com a maioria dos factos descritos na primeira sessão do julgamento em que é acusado de atropelar uma cantoneira em 2016.

No julgamento, que decorreu no Campus da Justiça, em Lisboa, o arguido Pedro Delgado Alves, atualmente com 38 anos, foi acusado pelo Ministério Público (MP) de um crime de ofensa à integridade física por negligência grave, punível até dois anos de prisão ou multa de 240 dias.

A sessão foi conduzida pela juíza Paula Lajes, que leu o despacho de acusação onde consta que o deputado do Partido Socialista conduzia um automóvel na Avenida Almirante Gago Coutinho, sentido Norte/Sul, na segunda fila de trânsito (faixa do meio), pela 01h50 de dia 17 de maio de 2016, quando se deram os factos pelos quais está acusado.

Na primeira fila de trânsito "encontrava-se momentaneamente parado" um camião de recolha de lixo, "devidamente assinalado, com as respetivas luzes de cor amarela ligadas". A vítima, que se constitui assistente do processo, fazia parte da equipa de cantoneiros de recolha de lixo urbano e "encontrava-se de pé, apoiada no estribo do lado esquerdo existente nas traseiras" do veículo pesado.

"Nesse momento, quando o arguido se aproximava do local onde se encontrava parado o veículo pesado de recolha de lixo, perdeu o controlo de veículo, saiu ligeiramente da sua fila de trânsito e foi embater com a frente, lado direito, do veículo por si conduzido, no veículo pesado de recolha de lixo, do lado esquerdo, junto ao estribo", revela a acusação, que acrescenta que o automóvel do arguido "acabou por embater também na ofendida".

Do acidente, e de acordo com a acusação, "resultou perigo para a vida" da vítima, que ficou 596 dias de baixa médica.

Pedro Delgado Alves foi o primeiro a falar durante a sessão, explicando que "perdeu o controlo da viatura quando tentava centrar o carro na faixa de rodagem" por lhe parecer que estava "demasiado junto" do camião do lixo e o que pretendia era fazer uma passagem em segurança.

"Dirigia em direção a casa, ao fazer o percurso circulava na faixa central [a da direita é via BUS] e, ao aproximar-me da viatura do lixo, quando reduzo a velocidade de quarta para terceira, para recentrar o carro, desviando-o, a direção do carro bloqueou a meio da manobra e, numa questão de segundos, estou em cima do carro da recolha do lixo", explicou Pedro Delgado Alves.

De acordo com o arguido, o carro tinha estado na oficina a fazer a revisão na semana que antecedeu o acidente, reportando ao tribunal, igualmente, que não se tratava da primeira vez que a direção tinha ficado bloqueada.

"Já tinha acontecido outras vezes durante o estacionamento, mas em estrada foi a primeira vez que aconteceu, nada o fazia prever", disse, acrescentando que o primeiro sinal de alguma anomalia se fez com o acender das luzes no painel de instrumentos.

Pedro Delgado Alves reconheceu ter perdido o controlo do seu veículo quando o que tentava fazer era passar com a devida segurança pelo carro do lixo que, apesar de parado, estava com trabalhadores a operar, sendo que a vítima, estava em pé, no estribo, na traseira esquerda do carro.

O arguido reconheceu a maioria das acusações, mas tem dúvidas de ter colocado em perigo a vida da cantoneira.

A advogada de acusação, Maria José Guimar, questionou o arguido sobre o facto de este "não ter travado ou buzinado", acrescentando que ligou para a marca do carro acidentado e que lhe terão explicado que "o volante não bloqueava", mas que o que teria acontecido seria "ter ficado sem a direção assistida".
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