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Correio da Manhã

Sociedade

Doentes esperam 16 meses por consulta e cirurgia de obesidade

Falta de médicos e de convencionados para fazer as operações são motivo para atrasos.
Sónia Trigueirão 7 de Março de 2019 às 09:10
Entidade Reguladora da Saúde (ERS) revela fragilidades no tratamento da obesidade em Portugal
Enfermeiro
Enfermeiros
Entidade Reguladora da Saúde (ERS) revela fragilidades no tratamento da obesidade em Portugal
Enfermeiro
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Entidade Reguladora da Saúde (ERS) revela fragilidades no tratamento da obesidade em Portugal
Enfermeiro
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Os doentes esperam, em média, oito meses pela primeira consulta de cirurgia da Obesidade e mais oito meses pela cirurgia propriamente dita. Ou seja, 16 meses no total.

A conclusão é do estudo da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) intitulado ‘Cuidados de Saúde Prestados no Serviço Nacional de Saúde (SNS) na Área da Obesidade’, que revela também que, em média, apenas perto de 17% dos vales-cirurgia emitidos são utilizados pelos utentes.

Segundo o mesmo estudo, os atrasos são atribuídos à falta de profissionais de saúde, nomeadamente de anestesistas. Em 2017 faltavam 266 anestesistas no SNS.

No que diz respeito aos vales-cirurgia, refere a ERS que "existe um número reduzido de convencionados, que muitas vezes estão a uma distância significativa dos hospitais de origem do SNS onde os utentes são seguidos, o que dificulta o acesso com recurso a vale-cirurgia, designadamente por motivos económicos".

Na sequência da divulgação do estudo, a Associação de Doentes Obesos e Ex-Obesos de Portugal (ADEXO) defende ser urgente a reativação do tratamento da Obesidade em hospitais que já o fizeram e a criação de equipas em zonas onde não existe este procedimento.

88 queixas feitas entre 2015 e 2018
Entre 2015 e maio de 2018, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) recebeu e analisou 88 reclamações de utentes de serviços de saúde relativas à área da Obesidade. As queixas incluíam queixas relacionadas com a realização de cirurgia bariátrica.

SAIBA MAIS
4 milhões, é o número de mortes que se estima que tenham ocorrido em 2015 devido a índices de massa corporal elevados. O excesso de peso é um fator de risco para várias doenças crónicas, incluindo diabetes e cancro, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

41 milhões de crianças
Em 2014 foi estimado que cerca de 41 milhões de crianças no Mundo com menos de 5 anos tinham excesso de peso ou obesidade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que mais de metade da população portuguesa com 18 ou mais anos tinha excesso de peso.

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