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Correio da Manhã

Sociedade
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Dois hospitais abrem processo de inquérito após morte de doente que aguardava exame

Centro Hospitalar Universitário do Algarve e o IPO de Lisboa vão apurar responsabilidades.
Diana Santos Gomez 9 de Maio de 2019 às 01:30
IPO de Lisboa recusou exame por não ter garantia de pagamento
Hospital de Portimão acompanhou António Marques, que sofria de cancro do pulmão
IPO de Lisboa recusou exame por não ter garantia de pagamento
Hospital de Portimão acompanhou António Marques, que sofria de cancro do pulmão
IPO de Lisboa recusou exame por não ter garantia de pagamento
Hospital de Portimão acompanhou António Marques, que sofria de cancro do pulmão
O Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa e o Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) abriram esta quarta-feira processos de averiguações para apurar as responsabilidades no atraso do resultado de um exame urgente de um doente com cancro do pulmão, acompanhado no Hospital de Portimão. A decisão surgiu na sequência da notícia avançada esta quarta-feira pelo CM/CMTV.

O grupo parlamentar do PSD entregou na Comissão Parlamentar de Saúde um requerimento para que sejam ouvidos com "caráter de urgência" a ministra da Saúde, Marta Temido, e as administrações hospitalares do IPO e do CHUA. O deputado do PSD, Cristóvão Norte, explicou ao CM que se trata de uma luta contra a "cruel desumanização" do Serviço Nacional de Saúde.

O Ministério da Saúde adiantou ao CM que está a acompanhar a situação e confirmou a abertura de processos de averiguação por parte dos respetivos hospitais. Em resposta ao CM, adiantou que há a "disponibilidade para aperfeiçoar os procedimentos de articulação" entre as duas instituições.

Uma simplificação de processos que pode ser decisiva para ultrapassar a burocracia financeira que atrasou 27 dias a receção por parte do IPO de Lisboa do exame de António Marques, de 61 anos, que sofria de cancro do pulmão.

O exame do doente tinha sido enviado no dia 23 de janeiro pelo CHUA para o IPO de Lisboa, que o recusou nessa data pela falta do termo de responsabilidade, ou seja, uma garantia de pagamento.

O exame de António Marques acabou por ser recebido no IPO apenas no dia 21 de fevereiro, tendo o resultado sido revelado 6 dias depois, no dia 27, como consta na documentação do IPO à qual o CM teve acesso. Passaram 50 dias desde a colheita até se saber o resultado do exame. António Marques não resistiu e morreu em 27 de março, sem fazer quimioterapia.

PORMENORES
Exames pedidos ao IPO
O CM apurou que 73 exames de mutações do gene foram enviados pelo CHUA para o IPO de Lisboa em 2018: 43 pedidos de Faro e 30 de Portimão. O CHUA garantiu ao CM que neste momento não há exames por enviar.

Profissionais elogiados
"Os médicos e enfermeiros tiveram um comportamento exemplar em todas estas situações." Quem o diz é o deputado Cristóvão Norte, que à semelhança de Teresa Marques, viúva de António Marques, reforça a ajuda prestada pelos profissionais durante todo este processo.
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