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Correio da Manhã

Sociedade
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Excessos em festas académicas dividem opiniões nas redes sociais

Vídeos mostram jogos onde aparecem jovens desnudadas ou a simular cenas de sexo em troca de bebidas.
Beatriz Madaleno de Assunção 9 de Maio de 2019 às 20:13
Semana Académica
Semana Académica FOTO: André Guerreiro
As festas académicas são momentos que marcam o percurso de milhares de jovens, de norte a sul do País, nesta fase do ano. Sejam caloiros ou finalistas, todos querem aproveitar aqueles que os que por lá passaram prometem ser "os melhores anos" das suas vidas.

Anualmente a sociedade depara-se com excessos cometidos, que não rara a vez terminam em episódios que nem sempre são bonitos de recordar pelos protagonistas, na manhã seguinte.

No entanto, este ano e pela primeira vez foram publicadas várias imagens de cariz sexual nas redes sociais, que mostram jogos onde aparecem jovens desnudados(as) ou a simular cenas de sexo em troca de bebidas.

As imagens foram publicadas no decorrer das festas académicas de Coimbra e do Porto e entretanto partilhadas entre amigos, de amigos, de conhecidos e desconhecidos, dando conta das situações.

A situação de 'degradação' neste tipo de ambiente é unânime entre os internautas, mas as opiniões sobre o que realmente se passa nestes momentos divide a geração apelidada por alguns como 'perdida'.

Nas redes sociais, os 'Millennials', também identificados como 'geração da Internet', fazem duros comentários às situações protagonizadas por pessoas com idades semelhantes.

Há quem defenda que os protagonistas das imagens partilhadas são "vítimas" do ambiente e das pessoas que os rodeiam, outros que afirmam que não há "santos" quando consomados estes episódios.

Numa sociedade cada vez mais preocupada com os direitos das mulheres, há quem confirme que ainda está latente a diferença de género e que as mulheres têm todo o direito de beber na mesma proporção que os homens sem serem julgadas por isso. Mas será que é isso que está em questão?

"Nós não temos culpa dos atrasados mentais que andam para aí. Culpem os culpados sff e deixem-se de m*rdas", pode ler-se através da partilha de uma internauta.




Por outro lado, há um grande número de jovens (grande parte, mulheres) a criticar veemente este tipo de atitudes:


"A ch*par um vibrador numa barraca para ganhar bebidas. Vocês não têm vergonha na cara?", pode ler-se numa das milhares de publicações partilhadas entre jovens.








Há ainda quem deixe o 'alerta' que este tipo de 'jogos' sempre existiram e sempre vão existir, devem é ser feitos no anonimato e entre "pessoas de confiança".

"Se querem jogos porcos certifiquem-se que estão com pessoal de confiança e que toda a gente está sem bateria no telemóvel(...)", pode ler-se em mais um tweet partilhado.


Ou simplesmente quem incentive à prática moderada de beber álcool.

"A grande conclusão que eu chego sobre isto tudo da queima do Porto é simples e acho que é mais do que óbvia... aprendam a beber(...)"


Para além do debate, surgiram também milhares de 'tweets' e publicações no Instagram e Facebook, em jeito de sátira e 'memes', como aconteceu através desta página, seguida por milhares de jovens portugueses:


Recorde-se que depois desta polémica, a Federação Académica do Porto proibiu a publicação deste tipo de conteúdo, sob a ameaça de sanções por parte da FAP.

Leia o comunicado na íntegra:
"A Queima das Fitas do Porto e as suas Noites da Queima são, desde há muitos anos, um dos acontecimentos mais queridos da cidade do Porto reconhecendo-se, por excelência, como a festa dos estudantes. É baseado nesta premissa que, todos os anos, a FAP e os estudantes da Academia do Porto organizam esta atividade, de forma voluntária e sob o compromisso de ser uma festa "Feita de estudantes para estudantes"

A Federação Académica do Porto é completamente contra qualquer tipo de violência sexual, violência de género e violência física, ou de qualquer outra ordem. De forma a tentar prevenir situações desta natureza, decidiu aliar-se ao Ponto Lilás – uma iniciativa que prevê ações de prevenção de comportamentos de risco e ações de sensibilização para uma maior responsabilidade social – sendo esta uma ação conjunta e pioneira em Portugal.

A FAP está a tomar todas as ações possíveis para garantir a dignidade, conforto e segurança de todos. Como organização, tem apelado consecutivamente ao respeito da integridade física, mental e moral de qualquer um que se encontre a usufruir do que lhe é proporcionado na Queima das Fitas do Porto.

Depois de observar a captação de imagens de comportamentos indevidos (na sua grande maioria até mesmo indignos), que atentam em muitas das vezes contra o respeito pelos valores humanos, e sua posterior divulgação, por parte das barracas dentro do recinto, achou necessário proibir que tais situações continuassem a acontecer. Assim sendo, todas as barraquinhas que o fizerem serão devidamente sancionadas – visto que a recomendação prevista no regulamento das barraquinhas sobre o uso de imagens/escrita sexista, e/ou que promova o discurso de ódio ou incentivo a qualquer tipo de violência, não foi cumprida.

A Queima das Fitas do Porto vive das suas pessoas e de como elas se sentem a vivê-la e não é aceitável que tais comportamentos sejam apoiados e permitidos ou sequer tolerados. Tais comportamentos, que atentem contra a dignidade dos estudantes, seja em que termos forem, não contarão com a cumplicidade da FAP, nem da esmagadora maioria dos estudantes da Academia, sendo que qualquer atitude desta natureza terá tolerância zero!

A Direção da FAP lamenta e repugna todos os casos que possam violar a dignidade humana e que ponham em causa os Direitos Humanos, considerando ainda que a violação de privacidade é um ato igualmente deplorável e que deve ser devidamente punido.

A Queima das Fitas, tal como a cidade do Porto, "não é apenas um lugar, é um sentimento", e queremos que este sentimento seja eterno na vida de todos os estudantes como um dos melhores momentos das suas vidas. Não vamos pôr em risco esta celebração.

Somos Academia!"

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